Planta emblemática da medicina ayurvédica, a ashwagandha atrai cada vez mais adeptos pelas suas propriedades anti-stress, tonificantes e revitalizantes. Mas será que é realmente segura? Quais são os potenciais perigos que se deve conhecer antes de a utilizar? Descubra tudo o que precisa de saber para usufruir dos seus benefícios com toda a segurança.
O que é ashwagandha?
A ashwagandha (Withania somnifera), também conhecida como ginseng indiano, é uma planta adaptogénica originária da Índia. Utilizada há milhares de anos na medicina ayurvédica, é conhecida pela sua capacidade de reforçar as defesas do organismo contra o stress físico, mental e emocional.
São principalmente as suas raízes que são utilizadas pelas suas propriedades medicinais. Contêm withanólidos, alcalóides relaxantes, polifenóis antioxidantes, ferro e triptofano.
Os benefícios da ashwagandha
Redução do stress e da ansiedade
Ao diminuir os níveis de cortisol, a ashwagandha promove o retorno à calma, melhora a resiliência mental e ajuda a lidar com períodos de tensão crónica.
Melhoria do sono
Promove um sono mais profundo graças à sua ação sobre os recetores GABA, sem causar sonolência diurna.
Apoio ao desempenho físico
Estimula a vitalidade, melhora a resistência, a força e acelera a recuperação muscular.
Libido e fertilidade
Promove a testosterona, a qualidade do esperma e o equilíbrio hormonal, especialmente na menopausa.
Proteção cognitiva
Graças às suas propriedades antioxidantes, ajuda a memória, a concentração e protege o cérebro do envelhecimento precoce.
Possíveis efeitos secundários
Bem tolerada na maioria dos casos, a ashwagandha pode, no entanto, causar alguns efeitos indesejáveis:
- Problemas digestivos: náuseas, dores abdominais, fezes moles
- Sonolência ou fadiga
- Dores de cabeça
- Alterações da tiróide em caso de hipertiroidismo
Contra-indicações a ter em conta
A ashwagandha é desaconselhada nos seguintes casos:
- Mulheres grávidas ou a amamentar
- Hipertiroidismo ou distúrbios hormonais não estabilizados
- Doenças hepáticas ou antecedentes de distúrbios hepáticos
- Doenças autoimunes (lúpus, esclerose múltipla, etc.)
- Hipertensão, hipotensão ou tratamento cardiovascular em curso
Interações medicamentosas
Recomenda-se cautela se estiver a tomar algum dos seguintes tratamentos:
- Antidepressivos e ansiolíticos
- Anticonvulsivantes
- Levodopa (Parkinson)
- Medicamentos para a glicemia ou a pressão arterial
Que forma e que dosagem escolher?
Formatos disponíveis
- Cápsulas de extrato padronizado: a escolha mais confiável (KSM-66®, Shoden®)
- Pó: natural, mas difícil de dosear com precisão
- Gomas: práticas, mas frequentemente menos concentradas
Posologia recomendada
Comece com 300 a 600 mg por dia, ajustando gradualmente até um máximo de 1200 mg, em uma ou duas doses com as refeições.
Quando é que deve ser tomado?
- De manhã ou ao meio-dia: para um efeito revigorante e anti-stress
- À noite: em caso de distúrbios do sono ou ansiedade noturna
Como escolher um bom suplemento de ashwagandha?
Para uma eficácia ideal e máxima segurança, verifique os seguintes critérios:
- Utilização exclusiva de raízes (sem folhas)
- Certificação orgânica e sem contaminantes (metais pesados, solventes)
- Dosagem controlada de withanólidos (5% recomendado)
- Transparência na rastreabilidade e qualidade do produto
Conclusão
A ashwagandha é uma planta poderosa e versátil que pode melhorar a qualidade de vida em vários aspetos: stress, sono, energia, concentração, libido... Mas não deve ser tomada de ânimo leve.
Utilizada com precaução e sob orientação de um profissional, ela constitui um apoio natural valioso em uma abordagem global de bem-estar. É melhor considerá-la como um aliado de fundo, em vez de uma solução milagrosa imediata.
Fontes e referências
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